Não use música para meditação!

Ah, a meditaçã! Essa dança sutil entre a mente e o espírito, onde você é o único que pode dar os passos certos. Imagine-se no centro do palco, pronto para iniciar sua performance meditativa. Enquanto todos esperam que a música comece, você surpreende a todos (e a si mesmo) com um movimento inesperado: você deixa a música de fora do show. 

Não sei se você sabe, mas “música para meditação” é um dos maiores sucessos dos vídeos de YouTube – a maioria tem milhões de visualizações! Isso significa que tem muita gente por aí usando algum tipo de trilha sonora para meditar. E, embora a sensação seja boa, não é muito interessante – a longo prazo – embarcar nessa, não.
vamos entender o porquê?

Música para meditação – qual o sentido?

Você se prepara para meditar, aciona a trilha sonora zen e espera ser levado para um estado meditativo. Você selecionou a playlist com cuidado, então logo, logo, ela está surtindo efeito… mas, talvez não o que você precisaria! Em vez de meditar, você se vê curtindo o som. A mente se divide entre seguir o ritmo e tentar encontrar a paz interior. A verdade é que, enquanto seus pés podem estar se mexendo com o som, sua mente está longe de estar na pista de dança da meditação.

O objetivo da meditação é manter a mente no presente, no foco único que, em geral, pode ser a respiração ou o mantra. A música, como aquele amigo extrovertido que sempre rouba a cena, pode facilmente tirar o foco e nos distrair do verdadeiro objetivo da meditação. Pelo menos, isso é o que acontece quando a música é muito presente.

“Ah, mas eu uso só música ambiente, frequências tais e tais, uma coisa bem sutil mesmo! Qual o problema?”
Bom, vamos ver

Qual o problema da música, afinal (além de te distrair)?

Colocando de forma direta, o problema é que, uma vez que você cede à melodia, ela se transforma em um crachá de acesso para entrar no estado meditativo. Você se torna um refém da melodia, incapaz de encontrar a paz interior sem ela.

Dá pra entender por que as pessoas usam música para meditação – é mais fácil entrar no clima, acalmar um pouco os pensamentos, dá aquele acolhimento mental. É como estar com o cérebro embrulhado num cobertor quentinho!

O lance é que esse hábito é tão bom, que se torna ruim.
Ele é viciante, e logo vai tirar a sua autonomia. Toda vez que for tentar meditar sem a música, não vai conseguir. 

Imagine estar em uma sala de espera ou em um ônibus lotado, ansioso para meditar e encontrar um refúgio mental. Mas, oh não! O telefone está sem bateria – adeus, Spotify! Sem a sua melodia mágica, você fica perdido, como um peixe fora d’água, incapaz de encontrar a serenidade. É como depender do barulho do oceano para adormecer – legal na praia, não tão legal quando você está em um escritório.

O Vazio Iluminado

A meditação é uma jornada rumo ao vazio iluminado, uma dança com o silêncio onde a mente e o espírito se encontram. Ao introduzir música, você está convidando um dançarino não convidado para a pista. O silêncio, meu amigo, é o parceiro de dança perfeito. É contrário da experiência que você tem com a música – é ruim, mas a longo prazo é bom.

Acontece que hoje o silêncio é um ilustre desconhecido. Pensa aí: qual foi a última vez que você ficou sem ouvir nada, senão os sons do ambiente?
Fazemos força pra estar 100% conectados, aliás, e justamente não ter que lidar com o silêncio! Parece legal, mas quanto tempo a gente pode fugir de nós mesmos? Nossos próprios pensamentos, idéias, questões? Porque essa é a oportunidade que o silêncio oferece. 

“Ah, mas eu não gosto, não, fico me sentindo mal!”
Bom, em geral são as situações de desconforto que geram os maiores frutos pra gente!Além disso, na meditação, você tem um ás na manga, um método pra lidar com essa sensação meio ruim.

A verdadeira magia da meditação está na simplicidade. Respirar conscientemente ou recitar mantras é como dançar com o silêncio, permitindo que você se conecte consigo mesmo sem as distrações externas. A música pode ser como um par de sapatos de dança desajeitados – eles até parecem legais, mas não ajudam muito quando você quer ser realmente elegante.

Resumo da história: música para meditação, não!

Meditar pela primeira vez pode ser um tanto desconcertante, especialmente quando a mente começa a se comportar como um motor de busca sem filtro. Os pensamentos saltam como coelhos dopados em um plantação de cenouras, e tentar controlá-los é como tentar capturar o vento com as mãos. 

A música, por mais encantadora que possa ser, às vezes desempenha o papel de um colega de quarto barulhento na sala de aula. Imagine tentar ouvir a si mesmo enquanto alguém ao seu lado está contando histórias animadas. A melodia pode, inadvertidamente, se tornar mais um participante da bagunça mental, competindo por atenção. 

A música pode criar uma dependência sutil. Assim como um corredor que precisa de seu par de tênis favorito para dar uma volta, aqueles que se acostumam a meditar com música podem achar difícil se acalmar sem essa melodia de fundo. Em vez de confiar em sua própria capacidade de se sintonizar com a serenidade interior, eles se tornam dependentes das notas que emanam fones de ouvido. Imagina: depender do Spotify pra meditar!

A música tem seu lugar na vida, e pode ser uma companheira maravilhosa para muitas atividades. No entanto, quando se trata de meditação, podemos descobrir que o verdadeiro ritmo a seguir é o da própria respiração, a melodia silenciosa que une todos os momentos da vida.

A Festa Silenciosa

Então, da próxima vez que você se preparar para meditar, considere deixar a música na playlist da academia. Dance com o silêncio, mergulhe na melodia interna da sua respiração ou das palavras de um mantra. Lembre-se de que a meditação é uma festa interior, onde você é o DJ da sua paz de espírito (ok, chega de trocadilhos e analogias com festas e músicas).

E, quem sabe, em vez de dançar no ritmo de uma melodia externa, você pode se surpreender dançando com a alegria tranquila do silêncio. Lembre-se, a meditação é como uma festa de pijama para a sua alma – não precisa de música alta, só precisa de você e do silêncio, dançando juntos em harmonia. E, ao som do silêncio, você pode encontrar a verdadeira melodia da sua própria serenidade.

Leandro Casttelo Branco

Leandro Castello Branco, coordenador do Saraswati Studio de Yoga no Rio de Janeiro, vive o Yoga há mais de duas décadas. Morou seis meses na Índia em 2006 e desde então teve a oportunidade de viajar estudando vedanta, yoga e meditação com diversos mestres como Swami Dayananda Saraswati, S.S. o Dalai Lama e o mestre zen Thich Nhat Hanh. É autor do "Guia Prático para o Coração do Yoga", que chegou a ser um dos mais vendidos da Amazon/Kindle na categoria "Saúde e Família" e hoje já formou mais de 520 professores de Yoga. Em 2017 iniciou um trabalho online que já impactou centenas de milhares de pessoas em cursos, workshops e palestras.

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