Meditação guiada?

Por que estamos aqui? Qual o sentido dessa vida? Pra onde vamos, depois que morremos? Há algum sentido nisso tudo?

Talvez você nunca tenha pensado nessas perguntas, mas elas assolam a humanidade há muitos e muitos milênios! E, diferentemente de outras perguntas que nos fazemos – e cujas respostas encontramos no próprio mundo! – para responder essas questões de natureza espiritual, nossos sentidos e nosso raciocínio não conseguem ajudar muito. Para responder a essas e outras interrogações, é que existe o Yoga e muitas outras tradições espirituais que explicam e ilustram todo esse mundo “além do físico”. Mas, o ser humano não quer apenas conhecer intelectualmente, ele quer sentir, experienciar! 

Ao longo da história, a humanidade tem buscado momentos de paz e conexão consigo mesma. Esse anseio pela tranquilidade interior e pelo conhecimento além dos sentidos deu origem à meditação, uma prática milenar que nos permite mergulhar em nosso mundo interior e encontrar serenidade no caos do dia a dia.

De onde vem a meditação?

Acredita-se que a meditação tenha surgido há milhares de anos, possivelmente nas antigas civilizações do Vale do Indo, na Índia, e do Antigo Egito. Alguns dos registros mais antigos sobre a meditação remontam à essa antiga civilização do Vale do Indo, que floresceu no norte da Índia e no Paquistão entre 3300 a.C. e 1300 a.C. A cultura do Vale do Indo deixou vestígios de símbolos e inscrições, que sugerem que já praticavam formas rudimentares de meditação. Também estátuas muito antigas em postura de lótus sugerindo práticas meditativas foram achadas em escavações por lá!

Da mesma forma, no Antigo Egito, há evidências de que a meditação era parte integrante das práticas espirituais e rituais dos sacerdotes e faraós. Hieróglifos e pinturas murais mostram figuras em posições meditativas, sugerindo uma busca pela conexão com o divino e o transcendente.

No entanto, foi na Índia mesmo que a meditação floresceu e se desenvolveu de forma mais ampla e sistemática. A meditação ganhou destaque nos antigos textos sagrados do hinduísmo, como os Vedas, escritos por volta de 1500 a.C. Os Vedas contêm versos que descrevem práticas meditativas para alcançar estados superiores de consciência e compreensão espiritual.

Desde então, a meditação floresceu em diferentes culturas e tradições espirituais, ganhando formas diversas, como no Yoga e no Budismo.

Meditação no Yoga

Com o passar do tempo, o Yoga emergiu como uma disciplina espiritual e filosófica na Índia, e a meditação tornou-se uma de suas práticas centrais. Os Yoga Sutras de Patañjali, escritos por volta do século II a.C., são uma das principais fontes de conhecimento sobre a meditação no contexto do Yoga. Nesse tratado, Patañjali descreve os caminhos do Yoga e os estágios da meditação para alcançar a iluminação e a união com o divino. Sua principal técnica é chamada de “japa”, ou, “repetição de mantra”. 

No contexto do Yoga, a meditação é uma das etapas fundamentais no caminho em direção à realização pessoal e espiritual. O Yoga, em sua essência, não se trata apenas de posturas físicas desafiadoras, mas também de uma jornada para conhecer e transcender a mente e as limitações do ego. A meditação é a ponte que nos conecta com nossa essência mais profunda, além dos pensamentos e das emoções.

Meditação no Budismo

No Budismo, a meditação desfruta de um papel central no caminho para a iluminação. Através da prática da meditação, os budistas buscam transcender o sofrimento, alcançar a compreensão profunda da realidade e cultivar qualidades como a compaixão e a sabedoria.

Embora o Yoga e o Budismo tenham suas abordagens distintas para a meditação, eles compartilham algumas similaridades fundamentais. Ambas as tradições reconhecem a importância de acalmar a mente e estar plenamente presente no momento presente. A respiração desempenha um papel crucial em ambas as práticas, servindo como âncora para o aqui e agora.

Para os principiantes, o budismo encoraja uma técnica muito simples: seguir o fluxo da respiração, primeiro na barriga (no subir e descer do abdômen), depois nas narinas (no entra e sai do ar mais frio e mais quente, respectivamente).

A meditação guiada

Dentre as inúmeras técnicas de meditação, estas duas que foram mencionadas se destacam, tanto pela sua praticidade, quanto pela eficiência: a meditação com mantras e a meditação seguindo o fluxo da respiração.

Falando mais especificamente, na meditação com mantras (japa), utilizamos sons ou palavras sagradas que nos auxiliam a focar a mente e elevar nossa consciência. A repetição do mantra ajuda a acalmar os pensamentos incessantes e a nos conectar com uma dimensão mais profunda do ser.

Já na meditação seguindo o fluxo da respiração, direcionamos nossa atenção para a respiração, observando-a à medida que entra e sai do corpo. Ao concentrar-nos na respiração, deixamos de lado as preocupações do passado e do futuro, e nos ancoramos plenamente no momento presente. Ou pelo menos essa é a intenção…


Ainda assim, para o iniciante pode ser muito penoso enfrentar a mente que, com toda certeza, não quer colaborar com esse processo. Para amenizar essa dificuldade e diminuir também o nível de sofrência, pode-se utilizar a meditação guiada.

Na meditação guiada, o professor vai guiar o caminho, narrando a técnica e repetindo o mantra em voz alta para os alunos acompanharem (no caso do “japa”) ou conduzindo a atenção deles através dos pensamentos insistentes.

Benefícios da Meditação Guiada

Fazer junto de alguém mais experiente traz muita coisa legal!
Com o professor guiando a sessão, fica mais fácil se concentrar e sentir que realmente está “chegando a algum lugar”. Isso acontece porque o fluxo de pensamentos desenfreado dá uma acalmada e a tranquilidade interna brilha com mais força!

Também é mais fácil tirar as dúvidas e saber se está indo pelo caminho correto!
No entanto, existe um ponto negativo nessa história – a meditação guiada é tão mais fácil do que quando se faz sozinho que ela pode criar uma dependência. É sério! E isso não é bom, não! Meditação é algo em que você quer ter autonomia, liberdade. Fazer uma sessão guiada de vez em quando não traz nada de mal, claro, mas fazer disso a sua prática diária, aí isso pode atrapalhar seu progresso. Afinal, devemos ser capazes de, sozinhos, lidar com nossa própria mente! 

Meditação é prática

Independentemente do método escolhido, a meditação oferece uma série de benefícios para a mente, o corpo e o espírito. Estudos científicos têm demonstrado que a meditação regular reduz os níveis de estresse, ansiedade e depressão, melhora a concentração e a clareza mental, fortalece o sistema imunológico e promove um maior senso de bem-estar geral.

Quando meditamos, não estamos fugindo dos desafios da vida, mas sim, nos preparando para enfrentá-los com maior equanimidade. Através da meditação, desenvolvemos a habilidade de responder, em vez de reagir impulsivamente, aos eventos e situações que se apresentam em nossa jornada.

Portanto, permita-se mergulhar nessa prática transformadora. Reserve alguns minutos do seu dia para sentar-se em silêncio, feche os olhos, respire profundamente e permita que a magia da meditação se desdobre dentro de você. Encontre refúgio em seu próprio ser e descubra a paz que está além das palavras.

Que a meditação seja como uma jornada de reencontro consigo mesmo, um encontro com a essência de ser, um refúgio de paz e sabedoria em meio ao tumulto da vida diária. Experimente essa aventura interior e deixe-se cativar pelo poder transformador da meditação. Você está prestes a embarcar em uma jornada que irá surpreender e encantar, levando-o a descobrir a imensidão do seu próprio ser.

Nessa jornada de autoconhecimento, você encontrará uma fonte inesgotável de paz, amor e compaixão. Deixe que a meditação seja o portal para a sua verdadeira essência, para a conexão com a sabedoria que habita em seu coração. E, ao abrir os olhos após meditar, perceba como o mundo ao seu redor brilha com uma nova luz, refletindo a luminosidade que agora você traz dentro de si.

Por que não começar agora?
Me acompanhe nessa meditação que leva só cinco minutos!

 

Leandro Casttelo Branco

Leandro Castello Branco, coordenador do Saraswati Studio de Yoga no Rio de Janeiro, vive o Yoga há mais de duas décadas. Morou seis meses na Índia em 2006 e desde então teve a oportunidade de viajar estudando vedanta, yoga e meditação com diversos mestres como Swami Dayananda Saraswati, S.S. o Dalai Lama e o mestre zen Thich Nhat Hanh. É autor do "Guia Prático para o Coração do Yoga", que chegou a ser um dos mais vendidos da Amazon/Kindle na categoria "Saúde e Família" e hoje já formou mais de 520 professores de Yoga. Em 2017 iniciou um trabalho online que já impactou centenas de milhares de pessoas em cursos, workshops e palestras.

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